12 de jun. de 2010

Isso é ser tradicionalista

Por falta de informação muitos novatos no Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro acabam por deturpar usos e costumes tradicionais dos Gaúchos Campeiros do Rio Grande do Sul. No entanto, aqueles que se propuseram a integrar o Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro organizado hão de estar conscientes de que Fazer Tradição é cultuar, cultivar, defender, zelar, corretamente divulgar e, principalmente, preservar o Patrimônio Cultural-regionalista Gaúcho Sul-rio-grandense, recebido pelo Estado Garrão-sul do Brasil, pelos Sul-rio-grandenses, pelo Brasil e todo o Povo Brasileiro. É preciso, portanto, que todos os integrantes do Tradicionalismo desenvolvam o necessário senso crítico no sentido de diferenciar o que é imposição comercial daquilo que consiste, verdadeiramente, como Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul. Com consciência tradicionalista qualquer indivíduo é capaz de identificar as incoerências regionalista-tradicionais gaúchas sul-rio-grandenses e as impropriedades tradicionalistas gaúchas brasileiras, verificadas no âmbito do Movimento Tradicionalista Gaúcho do Brasil. No uso da Pilcha Gaúcha dos Campeiros do Rio Grande, por exemplo, fácil é ver-se aberrações como a dos lenços de pescoço e das camisas na cor preta, uma vez que esta não é da Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense - a tradição regional dos interioranos do Estado Sulino, repassada de pai para filho, pelo tempo, de forma espontânea e contínua, - por ter sido usada aquela cor apenas para os casos de luto; a dos lenços de pescoço estampados, de cores diversas das previstas nas Diretrizes do Tradicionalismo para o Uso da Pilcha Gaúcha Sul-rio-grandense Masculina, virados para o lado, para trás, com as pontas escondidas por debaixo da camisa ou por fora do pescoço, vez que contrariam a História, os usos e os costumes tradicionais sul-rio-grandenses; a dos chapéus chaparral, com abas laterais viradas para cima, de couro, com copa alta ou no estilo "polícia-montada do Canadá"; a do uso das boinas coloridas, espanholas, italianas e de outras procedências, pois a boina tradicional dos gaúchos fronteiriços sul-brasileiros é a preta e de tamanho normal; a do uso de coberturas na cabeça no interior dos ambientes fechados, dentro dos salões de baile e outros recintos cobertos, ato este que contraria a antiga e tradicional convenção social dos campeiros sul-rio-grandenses, os quais, por tradição e educação, sempre descobriram a cabeça em ambientes cobertos, além de não haver razão alguma para que um peão gaúcho venha a manter a sua cabeça coberta debaixo de um teto, por não haver ali nem sereno nem chuva nem sol; a das cintas ou "rastras" platinas, em vez da guaiaca sul-rio-grandense, o cinturão típico e tradicional do Rio Grande do Sul; a das calças demasiadamente estreitas, já que o vocábulo bombacha, etimologicamente, significa calça larga, sendo esta a peça da indumentária gaúcha tradicional oriunda do Núcleo da Formação Gaúcha Sul-rio-grandense, a região do Pampa Sul-rio-grandense, de onde formou-se toda a Tradição dos Gaúchos Campeiros do Rio Grande do Sul, não devendo ser, portanto, modificada por qualquer tipo de modismo comercial ofensivo à autenticidade da Cultura Regionalista-tradicional dos Gaúchos Sul-brasileiros; a do uso de bombachas importadas, uma vez que o Tradicionalista Gaúcho é preservacionista, conservadorista da Cultura Regional, Tradicional e Nativa do Estado do Rio Grande do Sul; a aberração das túnicas militares com a bombacha; das camisas pretas ou em cores berrantes, fortes, como o vermelhão, o verdão, o azulão, o amarelão e outras, por vezes combinando com a saia ou o vestido da prenda, pois a Tradição Gaúcha a ser cultuada no MTG Brasileiro é a originária do Pampa do Rio Grande do Sul, formada pelos habitantes do interior sul-rio-grandense, onde estes, tradicionalmente, por comedidos e recatados, nunca usaram as cores fortes, preferindo as mais claras e sóbrias, como bem demonstram todos os estudos folclóricos e os registros histórico-literários brasileiros; a das pilchas com as cores de bandeiras; a dos barbicachos em plástico brilhante ou correntes metálicas; a dos tiradores com pinturas e penduricalhos; das botas brancas ou de coloridos diversos das convencionais pretas, beges e marrons; das camisas fulgurantes, brilhosas, de cetim, de mangas fofas ou com gola de padre; das bombachas coloridas ou plissadas; dos conjuntos pretos (zorro); das faixas uruguaias, argentinas, paraguaias ou chilenas, uma vez que no Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro visa-se a conservação e a preservação daquilo que é próprio do Rio Grande, não do uso e dos costumes dos países vizinhos; das camisetas ou das camisas com as mangas arregaçadas; das alpargatas, da faca à cintura, em bailes, eventos sociais ou solenidades tradicionalistas; dos casacos, dos jalecos ou das blusas tipo-campeira, com adornos de favos-de-mel ao longo das mangas; e, dos procederes nada tradicionalistas de se dançar maxixe, tchê music, forró ou qualquer outro ritmo que não tenha o compasso da música regionalista-tradicional gaúcha do Rio Grande do Sul, no interior dos Centros de Tradições Gaúchas - CTGS - e demais Entidades Tradicionalistas filiadas ao MTG Brasileiro. Essas e outras incoerências regionalista-tradicionais sul-rio-grandenses e impropriedades tradicionalistas brasileiras é de serem consideradas como verdadeiros atentados cometidos contra a Cultura Regionalista-tradicional do Povo Gaúcho Brasileiro, como um grave crime de lesa-cultura gaúcha sul-rio-grandense. Aberrações culturais, regionais, tradicionais, como essas, não devem ser praticadas no âmbito do Tradicionalismo Gaúcho organizado, pois estão elas a contrariar todos os Estatutos, os Regulamentos, a Filosofia de Atuação, a própria Carta de Princípios desse MTG Brasileiro, cuja filosofia serve de base para todos os seus fins institucionais, culturais e tradicionalistas, de preservação das autênticas Tradições dos Gaúchos Campeiros do Sul do Brasil!

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