7 de out. de 2010

Noel Guarany - 12 anos de sua morte

NOEL GUARANY - NOEL BORGES DO CANTO FABRICIO DA SILVA


Noel Borges do Canto Fabrício da Silva, o Noel Guarany, nasceu no dia 26 de dezembro de 1941, em Bossoroca, então distrito de São Luiz Gonzaga, na região das missões no Rio Grande do Sul e viveu até a adolecência, além de sua terra natal, em Garruchos e São Luiz Gonzaga (Bossoroca emancipou-se em 12/10/1965).
Filho de João Maria Fabrício da Silva e Antoninha Borges do Canto, sua descendência paterna era ligada a José Fabrício da Silva, italiano, que veio de São Paulo e recebeu uma sesmaria de campo na região de Bossoroca, onde se estabeleceu em 1823. Pelo lado materno, descende de Francisco Borges do Canto, irmão de José Borges do Canto, que recebeu várias quadras da sesmaria na região das missões. Francisco nasceu em 1782 e foi estancieiro em São Borja. Os Borges do Canto tiveram grande influência e importância na formação das fronteiras do Rio Grande do Sul, inclusive, José Borges do Canto participou da conquista dos sete povos das missões gaúchas, cuja rendição dos espanhóis ocorreu em 13 de agosto de 1801, capitulação essa endossada por Canto.
Noel, em 1956, com quinze anos de idade, aprendeu tocar sozinho seu primeiro instrumento, um violão com apenas três cordas, depois acordeon. Somente mais tarde passou a usar o violão que se transformaria em seu companheiro inseparável, instrumento com o qual desenvolveu uma técnica própria de tocar.
Em 1960 emigrou para a Argentina, onde trabalhou como tarefeiro de erva-mate, lenhador e balseiro. Esteve em Buenos Aires , depois foi para o Uruguai, Paraguai e Bolívia, lugares onde conviveu com muitos músicos, aperfeiçoou sua arte de tocar violão e aprendeu muito sobre a cultura musical desses países.
Entre 1960 e 1968, peregrinou por todos os países do Prata e por estâncias do Rio Grande do Sul tocando, cantando e aprofundando seu conhecimento sobre a cultura regional. Nessa época gravou um compacto simples, com as músicas "Romance do Pala Velho" e "Filosofia de Gaudério", acompanhado pelo cantor, compositor e músico missioneiro Cenair Maicá, com o qual se apresentava em festivais na Argentina.
Em 1971 Noel gravou seu primeiro LP, "Legendas Missioneiras", que teve como parceiros os gaúchos Jaime Caetano Braum, Glênio Fagundes e Aureliano de Figueiredo Pinto. Nesse ano e no ano seguinte viajou por vários estados fazendo apresentações e divulgando o disco.
Em 1972 casou com Neidi da Silva Machado, missioneira de São Luiz Gonzaga e passou a residir em Porto Alegre , para ficar mais próximo dos meios de divulgação.
Em 1973 gravou o segundo LP, "Destino Missioneiro", e continuou viajando, pesquisando e divulgando a música missioneira.
Em 1975 gravou o LP "Sem Fronteira" e participou da gravação dos discos Música Popular do Sul - volumes 2 e 4, produzido por Marcus Pereira Discos, em São Paulo. Nesse ano também criou em Tramandai, na Avenida Beira Mar, a Penha Guarany, um espaço onde se reuniram expressivos nomes do folclore gaúcho.
Em 1976 gravou o LP independente, com Jaime Caetano Braum, "Payador, Pampa e Guitarra", lançado simultaneamente no Brasil e na Argentina, com participação especial de Raul Barboza e Palermo. Nesse ano iniciou um programa na Rádio Guaíba de Porto Alegre e participou do programa Brasil Grande do Sul, com Jaime Caetano Braum e Flávio Alcaraz Gomes, depois passou para a Rádio Gaúcha, onde produziu e apresentou o programa Tradição e Folclore.
Em 1977 foi relançado o LP "Legendas Missioneiras", com o título de "Canto da Fronteira", mais tarde lançado também em CD. Nesse ano Noel realizou um espetáculo na Assembléia Legislativa para divulgar o LP "Payador, Pampa e Guitarra", com participação de Raulito Barboza, Palermo e Argentino Luna.
Em 1978 lançou o LP "Noel Guarany Canta Aureliano de Figueiredo Pinto", que marcou época no Rio Grande do Sul, pois resgatou a obra e memória de um dos maiores poetas do regionalismo gaúcho. Esse disco também foi posteriormente lançado em CD.
Em 1979 gravou o LP "De Pulperia", com músicas de Atahualpa Yupanqui, Anibal Sampayo e Mario Milan Medina, reforçando a intenção de promover a integração com a cultura platina.
Em 1980 gravou o LP "Alma, Garra e Melodia", iniciando a parceria com João Sampaio da Silva, que geraria importantes obras e uma grande amizade. Nessa época começou a se manifestar a doença que iria progressivamente lhe tirar todos os movimentos e condená-lo a um calvário (ataxia cerebral degenerativa), que se arrastou por muitos anos, fazendo com que esquecesse as letras das músicas, o que o deixava mais inquieto e amargo. Percebendo que algo de anormal estava lhe acontecendo, passou a beber com mais freqüência.
Em 1982 lançou o LP "Para o Que Olha Sem Ver", título escolhido em homenagem a Atahualpa Yupanqui, autor da música com o mesmo nome, que foi interpretada pelo Noel no disco. De João Sampaio gravou quatro músicas, consolidando a parceria.
Em 1983 quando morava em Itaqui, escreveu uma carta aberta para a imprensa, expressando o seu descontentamento com o descaso dos órgãos públicos para com a classe dos artistas que gravavam discos. Finalizou a carta dizendo que pararia de cantar até que as autoridades tomassem providências a respeito do assunto.
Em 1984 fixou residência em Santa Maria , local onde morou até o dia de sua morte. Nessa cidade fez contrato com uma produtora para realizar uma série de espetáculos na região centro do Estado. Também foi nesse ano que a gravadora RGE lançou o LP "O Melhor de Noel Guarany" e que foi reeditado o LP "Payador, Pampa e Guitarra".
Em 1985 se retirou dos palcos, atitude coerente com o que afirmara na carta aberta que divulgou para a imprensa em 1983.
Em 1988 gravou com Jorge Guedes e João Máximo, parceiros de São Luiz Gonzaga, o LP "A Volta do Missioneiro". Nesse ano também gravou com Jaime Caetano Braum, Pedro Ortaça e Cenair Maicá o LP "Troncos Missioneiros". Nesse disco já se pode notar que a doença estava afetando o seu registro vocal, pois o vigor e a clareza de outros tempos já não era os mesmos. Nesse ano foi relançado o LP "De Pulperias".
Nos anos seguintes Noel permaneceu recolhido em seu auto exílio, em Santa Maria. A imprensa de todo o Estado, os colegas artistas e os amigos questionavam a ausência do ídolo missioneiro. Sua vida seguia uma via-crucis, com a doença que cada vez mais se acentuava e que aos poucos lhe tirava toda a atividade motora.
No dia 6 de outubro de 1998, com 56 anos de idade, Noel Guarany faleceu na Casa de Saúde de Santa Maria. Seu corpo transladado para o município de Bossoroca, sua terra natal, onde hoje repousa em um mousoléu especialmente construído para abrigar os restos mortais de seu filho mais popular, que morreu autêntico como sempre viveu.

42ª Festa Campeira, Artística e Cultural de Guaíba no C.T.G. Gomes Jardim

O convite esta feito meus amigos e amigas, venham para essa grande festa do CTG Gomes Jardim. De 07 a 10 de outubro, no berço da nossa República. Guaíba te espera de braços abertos.
Confira a programação:

09 de outubro (sábado)

- 09:30 - Concurso de "Mais Prendada Prenda e Peão Farroupilha", Mirim Juvenil e Adulto;
- 10:00 - "Declamação", Prenda e Peão, Mirim Juvenil e Adulto;
- 14:00 - "Interprete Vogal", Prenda e Peão, Mirim Juvenil e Adulto;
- 16:00 - "Dança de Par", Mirim Juvenil e Adulto;
- 18:30 - "Dança de Salão", Mirim Juvenil e Adulto.

10 de outubro (domingo)

- 09:30 - Início do Concurso de Invernadas.
- Logo após ao término terá a solenidade de entrega das premiações.
Premiações:

- Faixas e crachás, para o concurso de "Maiprendada Prenda e Peão Farroupilha";
- Troféus para as individuais;
- Invernadas:
- 1° Lugar Mirim= R$300,00 + Troféu;
- 2° Lugar Mirim= R$200,00 + Troféu;
- 3° Lugar Mirim= R$100,00 + Troféu;
- 1° Lugar Juvenil= R$500,00 + Troféu;
- 2° Lugar Juvenil= R$300,00 + Troféu;
- 3° Lugar Juvenil= R$150,00 + Troféu;
- 1° Lugar Adulta= R$700,00 + Troféu;
- 2° Lugar Adulta= R$300,00 + Troféu;
- 3° Lugar Adults= R$200,00 + Troféu.

- Melhor Entrada/Saída:
- Mirim= 1 Troféu;
- Juvenil= 1 Troféu;
- Adulta= 1 Troféu;
- Melhor Torcida= 1 Troféu;
- Melhor Acampamento= 1 Troféu;
- Maior n° de Participantes= R$200,00 + 1 Troféu.

Inscrições e Informações:
-(51) 980-988-66 (51) 970-140-30
Ou pelo Site:
Informaçoes sobre a "Campeira":
- (51) 998-344-55 (51) 998-188-49
- Rua Santa Maria.
- N°: 2050. - Guaíba/RS.
- C.E.P.: 92500-000
- Fone: (51) 3480-44-70.
-E-MAIL: ctggomes@yahoo.com.br
Lema do C.T.G. Gomes Jardim: "Votando um amor supremo, ao Rio Grande, antes de tudo"!!!

1 de out. de 2010

Velhas lembranças nos retratos

Família Flores - década de 1930 - em uma caçada em São Pedro do Sul.


Mas é como se meus

Olhos enxergassem novamente..

Perfis medievais,

que terceavam embates
pelas arenas das mangueiras
e pelados de rodeio...
Que emolduravam-se pelos quadros das porteiras,
com florões de estampa...
...Não povoam mais do que
pálidos e arcaicos retratos,
prisioneiros das paredes...
condenados pelo esquecimento...

... Os cernes perenes de cada esteio,
são mudas testemunhas a vigiar
almas que vagueiam pelo ermo em forma de pó,
a transcender as frinchas
de onde o sol espia com olhar ruano
de ascender o dia...
...As pedras grandes de assoalho,
ainda guardam marcas de cascos,
riscos de cornaços e máculas de sangue
d’alguma sutura barbaresca
feita por instintivas mãos campechanas...

Mas resta uma pergunta que não cala...
Pra onde foram???

Glaucus Saraiva - Biografia

Glaucus Saraiva (de óculos) numa reunião do MTG em Cruz Alta.

Glaucus Saraiva da Fonseca nasceu em São Jerônimo, em 24 de dezembro de 1921, e morreu em Porto Alegre, num 17 de julho de 1983, Glaucus Saraiva, também conhecido como Glauco Saraiva, foi um poeta crioulo, tradicionalista, folclorista, historiador, professor, pesquisador, escritor, conferencista, músico, e compositor. É personagem importante do tradicionalismo gaúcho.

Era filho de Álvaro Saraiva da Fonseca e Maria Luiza Saraiva da Fonseca, o filho mais novo de uma família tradicional gaúcha. Teve 07 (sete) irmãos: Agamenon Saraiva da Fonseca, Demóstenes Saraiva da Fonseca, Marcos Vinicius Saraiva da Fonseca, Petronius Saraiva da Fonseca, Ligia Saraiva da Fonseca, Semíramis Saraiva da Fonseca, Semita Saraiva da Fonseca. Deixou uma filha: Maria Luiza Saraiva Soares.

Foi sócio fundador da Estância da Poesia Crioula e do 35 Centro de Tradições Gaúchas, do qual foi o primeiro patrão. Idealizou e tornou realidade o IGTF - Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, órgão vinculado a Secretária de Estado da Cultura, instituído pelo Decreto n.º 23.613, de 27 de dezembro de 1974, tendo sido seu primeiro diretor técnico, e o Parque Histórico General Bento Gonçalves da Silva, na Estância do Cristal, em Camaquã, e o Galpão Crioulo do Palácio Pirati, que pelo Decreto Estadual nº 31.204, de 1º de agosto de 1983, passou a chamar-se Galpão Gaúcho Glaucus Saraiva

Foi professor de folclore do curso de Pós-Graduação da Faculdade de Música Palestrina, professor no Curso de Extensão Universitária da PUC (Folclore na Educação) e no SENAC (Culinária Gauchesca e Usos e Costumes do Sul), e conferencista internacional sobre folclore. Presidiu três congressos tradicionalistas: em Santa Vitória do Palmar (1973), Pelotas (1975) e Passo Fundo (1977). Desenvolveu, também, profunda pesquisa sobre os brinquedos tradicionais das crianças gaúchas, promovendo exposições e publicações a este respeito. Formulou a Carta de Princípios do MTG - Movimento Tradicionalista Gaúcho, o mais importante documento para a fixação da ideologia e dos compromissos tradicionalistas, aprovada no 8º Congresso Tradicionalista, em julho de 1961 em Taquara - RS. Autor da nomenclatura simbólica do tradicionalismo.

Publicou ainda os ensaios “Manual do Tradicionalista” e “Catálogo da Mostra de Folclore Juvenil”. Foi vocalista dos conjuntos “Os Gaudérios” e “Quitandinha Serenaders” entre 1950 e 1955, além de atuar na Rádio Farroupilha e Rádio Nacional do Rio de Janeiro, de 1948 a 1955. Mas sua ligação com a música foi ainda mais profunda: Cigarro de Palha, Porongo Velho, Tropereada, O Rum é a Gente que Abre, Casa Grande de Estância (com Luiz Telles), entre outras. Seu poema mais conhecido é chimarrão.

Alegrete - III Capital Farroupilha

No dia 15 de julho do ano de 1842 os farroupilhas instalam sua capital em Alegrete.
Alegrete, 100 anos após ser capital farroupilha - foto Stop

Todo alegretense sabe que Alegrete foi Capital Farroupilha. Resgatar algumas passagens deste período é a modesta intenção deste breve texto. Aqui em Alegrete, além de concentrar os órgãos e pessoal do governo revolucionário, ocorreram fatos importantes no destino da Revolução,como a prisão do Presidente da Província, a Primeira Assembléia Constituinte Republicana do Brasil e a morte do vice-presidente da República Rio-Grandense, entre outros.

Quando estourou o movimento armado dos liberais gaúchos, em 20 de setembro de 1835,fazia um ano que Alegrete havia tornado-se independente politicamente, com status de Vila. A câmara de Alegrete, por sua vez, não aderiu ao movimento. A República Rio-Grandense foi proclamada por Antônio de Souza Neto no dia 11 de setembro de 1836. A Câmara Municipal de Alegrete aderiu a causa farroupilha em sessão legislativa, do dia 26 de junho de 1837.

Em julho de 1842, os farroupilhas resolveram mudar a Capital da República para a vila de Alegrete. Uma leva de carretas bem equipadas conduziram armamentos, munição, material de escritório, documentos, tipografia e jornais, além dos contingentes militares que mantinha a segurança do Palácio do Governo. Em Alegrete permaneceu a capital até junho de 1843.

Alegrete: Capital da República Rio-Grandense.
Por Anderson Romário Pereira Corrêa.
Texto publicado no Jornal Diário de Alegrete; Ano IX;
Nº 1486; 17 e 18 de setembro de 2005; p.06.